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Equipe do Mutirão Agroflorestal focaliza curso de Agroecologia em assentamentos em Mambaí-GO

Mandala feita com sementes para a mística de apresentação dos participantes do curso

No final de semana dos dias 20 e 21 de maio de 2017 uma parte da equipe do Mutirão Agroflorestal foi até Mambaí-GO realizar um curso de Agroecologia junto com as famílias agroextrativistas assentadas. O curso faz parte do projeto Realidade: soberania alimentar, extrativismo e inclusão produtiva em três assentamentos em Mambaí-GO, executado com recursos do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS). O objetivo do curso foi  trabalhar princípios e valores relacionados ao manejo de agroecossistemas, abordar conceitos como sucessão natural, biodiversidade e cooperação, e estimular o trabalho em coletivos organizados.

 

 

Durante o final de semana tivemos a oportunidade de montar uma linha do tempo a partir de fotos de alguns momentos do projeto, relembrar os objetivos traçados no início e celebrar ações realizadas e resultados obtidos. E para construirmos um curso a partir das práticas e das questões reais dos agricultores, os participantes fizeram uma apresentação das suas agroflorestas, a partir de desenhos e estimulados por perguntas geradoras para refletir se o solo está melhorando, se a mesa está mais farta de alimentos saudáveis e quais são os principais desafios.

 

E como não podia deixar de ser, o curso teve muita prática nos quintais agroflorestais – que plantamos em mutirão no final de 2015. Nesse momento, tivemos a oportunidade de abrir a mente para refletir sobre os novos aprendizados, visualizar os desafios e aproveitar para tirar dúvidas sobre poda e manejo nos sistemas agroflorestais. Foi nesse momento que, além das técnicas agroecológicas de produção, ganharam destaque o consumo das plantas alimentícias não convencionais, as PANC.

 

Na rica conversa sobre os desafios enfrentados na comunidade, destaca-se aqui a necessidade de criar estratégias para fugir do uso de agrotóxico, onde se mostrou o desejo e a necessidade de uma alimentação mais saudável. Contudo, a contaminação pelo uso de veneno ultrapassa as cercas das “propriedades” privadas e é claramente consequência de um agronegócio irresponsável que afeta diretamente os rios e o ar que passam pelo território dos assentamentos Capim-de-cheiro, Mambaí e Paraná. O desmatamento do Cerrado do entorno, a pulverização aérea de agrotóxicos e a perfuração de poços artesianos para abastecer pivôs centrais de irrigação nos latifúndios que circundam os assentamentos foram apresentados como desafios que demandam uma organização comunitária mais presente. É preciso agir rápido.

 

Depois de relatos preocupantes, ricas trocas de experiência e encaminhamentos, foi hora de apresentar, a partir de imagens, o conceito da sucessão natural (já debatida em campo) e a criação de uma floresta de alimentos. Quais os benefícios? O que é necessário? Foi nesse momento que o tema das sementes foi apontado pelos agricultores e então iniciou um debate bastante rico. Daria para passar pelo menos a semana inteira conversando só sobre elas, sobre o cuidado, o poder, a importância, os benefícios… Deixou um gostinho de quero mais.

 

 

“O controle das sementes é o primeiro elo da cadeia alimentar, já que as sementes são a fonte da vida. Quando uma empresa controla as sementes, controla a vida, especialmente a vida dos agricultores.” (Vandana Shiva)

 

E foi em clima de alegria que o curso se encerrou, regado a danças circulares e esperança no trabalho. A equipe do Mutirão voltou para casa encantada com a riqueza de conhecimento das famílias presentes e com a beleza do Cerrado em pé da região.

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