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Curso: Manejo Integrado de Formigas Cortadeiras

O curso Princípios de Manejo Integrado de Formigas Cortadeiras, organizado pela ONG Mutirão Agroflorestal, tem como objetivo aperfeiçoar os conhecimentos sobre a ecologia das formigas cortadeiras do Cerrado e as técnicas de manejo integrado de infestações em propriedades rurais. 

O minicurso terá duração de 12 horas de aulas práticas e teóricas, com o seguinte conteúdo básico:

  • Biologia e ecologia das formigas cortadeiras
  • Importância do controle de formigas cortadeiras
  • Identificação dos principais grupos e gêneros de formigas cortadeiras locais
  • Métodos de localização e dimensionamento de formigueiros
  • Métodos de monitoramento, prevenção e controle de infestações
  • Técnicas e práticas de prevenção de danos e de controle de colônias

 

O minicurso é organizado pela ONG Mutirão Agroflorestal em parceria com a CSA Brasília. CSA significa Comunidade que Sustenta a Agricultura, um modelo onde a agricultura é apoiada pela comunidade. O agricultor deixa de vender seus produtos através de intermediários e conta com a participação das pessoas para o financiamento e escoamento da sua produção.

CSA é uma tecnologia social que apresenta alternativas para apoiar a produção local de alimentos orgânicos, promovendo espaços de interação entre as pessoas na cidade e no campo. Quem escolhe fazer parte de uma CSA, deixa de ser um consumidor e se torna um co-agricultor. Passa a colaborar para o desenvolvimento sustentável da região, valorizando a produção local, conhecendo de perto de onde vem o seu próprio alimento e podendo também participar da produção.

Facilitador: Dalembert de Barros Jaccoud

Local: Ecovila Aldeia do Altiplano – Altiplano Leste, Brasília/DF
Data: 11 de março (14h às 18h) e 12 de março (08h às 18h)
Investimento: R$260 até 04/3  |  R$280 após 04/3
Inscrições: goo.gl/XC9qGv

Outras informações: Igor Aveline (61) 98120-0950  |  igoraveline@gmail.com

PREJUÍZOS COM FORMIGAS CORTADEIRAS?

Segue entrevista com Dalembert sobre o curso Manejo de Formigas Cortadeiras que ocorrerá nos dias 11 e 12 de março de 2017:

– Qual o prejuízo econômico anual do trabalho das formigas cortadeiras no Brasil?

Dalembert: As infestações de formigas cortadeiras, quando encontram condições adequadas, podem evoluir a uma centena de ninhos por hectare em pastagens e florestas plantadas, o que inviabiliza a produção. Em cana de açúcar, quatro colônias adultas por hectare causariam cerca de 5% de queda na produtividade. Em algumas atividades como floricultura, horticultura, fruticultura, viveirismo e outras, a presença de colônias de saúvas e quenquéns não costuma ser tolerada pois os prejuízos serão constantes.
A dimensão econômica pode ser ilustrada pelo consumo de mais de 9.000 quilos do inseticida Sulfluramida para fazer algo em torno de 3 bilhões de quilos de iscas formícidas no Brasil em 2015. O uso dessa substância está sendo banido em todo o mundo através da Convenção de Estocolmo sobre os Poluentes Persistentes, sendo entretanto permitido para iscas formicidas em vários países das Américas – esse é parte do custo social e ambiental associado ao controle químico de saúvas e quenquéns.

– Mas existem muitas funções ecológicas do trabalho desses insetos, não é mesmo?

Dal.: A vida de uma colônia de saúvas pode durar até 20 anos, e nesse período o trabalho de inúmeras gerações de formigas terá forte impacto no ambiente local. Um ninho de saúvas poderá, ao longo da sua vida, cavar 700.000 quilos de terra do subsolo e trazer esse material para ser aproveitado na superfície. E enterram matéria orgânica em profundidade, fertilizando o solo. Veremos outras funções ecológicas no curso e seu papel na composição da paisagem.

– Para muitos é um mito conseguir controlar, de forma ecológica, os impactos das formigas cortadeiras na produção agrícola. Quantos métodos vamos aprender no curso?

Dal.: O que não é um mito é a dificuldade de diminuir o número inicial de formigueiros em áreas com altas infestações, seja de forma ecológica ou convencional, por exemplo diminuir o número de colônias de algumas dezenas para uma ou duas por hectare. O curso apresenta as boas práticas para o uso de técnicas físicas, biológicas e químicas de controle de cortadeiras, e os participantes preparam durante as aulas os calendários locais de manejo de áreas infestadas.

– Qual a sua experiência com o controle integrado de formigas cortadeiras?

Dal.: Sou agrônomo e cursei o mestrado em manejo integrado de pragas, em 95/96, quando fiz testes de laboratório sobre o controle biológico de saúvas. Mas já havia trabalhado sobre esse tema antes no Ibama, durante a reavaliação do uso de inseticidas da classe dos organoclorados na agricultura e florestas. Recentemente participei do ‘Seminário sobre a viabilidade do uso de alternativas ao inseticida Sulfluramida no controle das formigas cortadeiras das espécies Atta e Acromyrmex’, realizado em março de 2016 em Brasília pelo Ministério do Meio Ambiente, onde fiz uma apresentação sobre “Princípios para o manejo integrado de áreas infestadas por formigas cortadeiras na agropecuária, recuperação ambiental e manutenção de áreas verdes”. Essa temática é difundida através dos cursos e de eventos educativos que participamos através do projeto Vida em Sauveiro (www.vidaemsauveiro.wordpress.com).

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