O Mutirão Agroflorestal surgiu como um movimento em meados de 1996. A partir do contato com o agricultor-experimentador Ernst Götsch e sua inovadora concepção e técnica em sistemas agroflorestais, um grupo de profissionais e estudantes das áreas de ciências agrárias, biológicas e humanas começou a se reunir no Estado de São Paulo para aprofundar o conhecimento nestes sistemas. A necessidade de experiências práticas para o aprendizado no manejo de sistemas agroflorestais e a possibilidade de realização de um trabalho coletivo, aglutinando conhecimentos e catalisando as ações, foram as principais motivações para a formação do grupo, cujos participantes vivem e atuam em vários estados do Brasil. Criou-se um fluxo de informações, com a constituição de uma rede de pessoas, o que desencadeou trocas de material bibliográfico, sementes, informações, idéias, dúvidas e estímulos. Além da técnica, a forma de desenvolver os trabalhos na coletividade, com metodologias participativas, de mãos dadas com a arte, se tornou um diferencial nos encontros do Mutirão, contribuindo para unir fortemente os seus participantes, ajudando a fortalecer o sentimento de grupo, de responsabilidade com o planeta e de irmandade em uma casa comum.

Com a vontade de viabilizar projetos e ações em sintonia com a proposta e forma de atuar do Mutirão, um grupo de pessoas que acompanharam o movimento desde sua gênese fundou, em 2004, a ONG “Mutirão Agroflorestal”, que tem como foco desenvolver trabalhos de educação, pesquisa, consultoria e divulgação de agrofloresta no Brasil. Sua missão é “contribuir para a construção de sociedades sustentáveis por meio de uma rede de integração de pessoas em torno da aprendizagem, vivência, experimentação e estímulo à produção agroflorestal”.

O Mutirão Agroflorestal atua por meio da realização de (i) vivências, cursos e oficinas para públicos diversos como crianças, adolescentes, técnicos, agricultores e público geral interessado em conhecer a agrofloresta, (ii) eventos e congressos, (iii) filmes com foco em agrofloresta, (iv) mutirões agroflorestais de plantio e manejo; (v) plantios experimentais e pesquisa participativa; entre outras ações que contribuam para a divulgação e consolidação das agroflorestas no Brasil.

O Mutirão Agroflorestal tem sede em São Joaquim da Barra, São Paulo, onde são realizadas diversas experimentações e áreas com sistemas agroflorestais implantados pelo movimento Mutirão Agroflorestal desde 1997. O Mutirão Agroflorestal também tem núcleos em Brasília-DF e São Lourenço de Minas-MG.

Algumas das realizações do Mutirão Agroflorestal:

  • Realização de 40 mutirões agroflorestais no período de 1996 a 2004, distribuídos entre os seguintes estados e municípios:

  • SP: São Joaquim da Barra, Barra do Turvo, Cananéia, Pariquera-açu, Amparo e Piracicaba.

  • MG: Lavras e São Lourenço

  • RJ: Seropédica e Santa Maria Madalena

  • GO: Alto Paraíso

  • Realização do curso de agrofloresta para jovens do Programa de Jovens da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) no ano de 2001.

  • Parceria com o IPEMA (Instituto de Permacultura da Mata Atlântica) no Projeto “Educação Agroflorestal para o Manejo Sustentável nas Comunidades Tradicionais da Mata Atlântica“ com período de execução previsto de 2005 a 2008.

  • Participação no Projeto “Formação Agroflorestal em Rede na Mata Atlântica” coordenado pela REBRAF, no período de 2004/2005.

  • Participação no Consafs “Consórcio Nacional de Sistemas Agroflorestais da Mata Atlântica” que deu origem à Rede Agroflorestal da Mata Atlântica.

  • Participação no processo de elaboração coletiva do Manual Agroflorestal da Mata Atlântica, no período de 2006/2007.

  • Realização de cursos sobre Sistemas Agroflorestais com Ernst Götsch (desde 2006)

  • Participação no Workshop “Sistemas Agroflorestais para Recuperação Ambiental“, promovido pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, em 2007.

  • Realização de oficina para capacitação de assentados/as da reforma agrária e sistematização das experiências agroflorestais no assentamento “Sepé Tiarajú”, município de Serrana – SP, em 2007.

  • Participação na publicação da cartilha “Liberdade e vida com agrofloresta” publicada pelo Incra em parceria com Embrapa, 2008.

  • Co-realização, com EMBRAPA, EMATER-DF e Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais, do VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais (VII CBSAF), em junho de 2009, em Luziânia-DF.

  • Realização de um DVD com 4 vídeos do VII CBSAF.

  • Realização do projeto “Educando com Jardinagem Agroflorestal” no internato Vila das Crianças, em Santa Maria-DF. São realizadas oficinas semanais com um grupo de cerca de adolescentes entre 13 e 17 anos desde setembro de 2009.

  • Realização do “Curso de Agrofloresta Sucessional na Recuperação de Áreas Alteradas” para técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo (SMA), em três módulos, realizados entre agosto e novembro de 2011.